segunda-feira, 21 de junho de 2010

Desenvolvendo o artigo

Após trabalhar neste blog durante todo o semestre o tema de Vigilância, Controle e Monitoramento, decidimos utilizá-lo para elaboração do artigo de conclusão da disciplina Comunicação e Tecnologia.

Dentro este tema, focaremos especificamente na passagem de um tipo de vigilância panóptica, como definida por Foucault, para uma vigilância distribuída, como propõe Fernanda Bruno. Para entendê-la e buscar confirmar tal passagem, analisaremos duas ferramentas que se utilizam de geolocalização: Google Latitude e Foursquare. Nelas, o usuário não é forçado a estar confinado e com pouca mobilidade, como funciona na vigilância panóptica. Pelo contrário. Na verdade, o ato de se mover pelo espaço urbano é fator determinante para o funcionamento dos serviços, além de permitir que os usuários, voluntariamente, divulguem informações de localização. Ou seja, as pessoas abdicam um pouco de sua privacidade, permitindo uma espécie de monitoramento não forçado.


Esquematizando o artigo:

Inicialmente trataremos da questão da evolução da técnica, demonstrando, a partir de textos trabalhados na disciplina (em Flusser, Lévy, Lemos e Ellul), que compreender tal evolução é importante para discutir o processo de constituição da técnica atual, relacionando-a com a cibercultura. 

A partir dai podemos entender a constituição de uma computação ubíqua e pervasiva. E, com ela, pode-se observar a evolução de "computador pessoal", para "computador coletivo" e, em seguida, "computador coletivo móvel" (Lemos). Dessa forma, enfim, chegamos aos dispositivos móveis, em especial os celulares e smartphones, que chamaremos de DHMCM: dispositivos híbridos móveis de conexão multirede (Lemos).

Desse ponto, partiremos para a relação desse tipo de dispositivo com o espaço urbano, permitindo maior mobilidade física e informacional. Entende-se, então, que as redes na verdade aumentam a importância da localização, num processo, inclusive, de espacialização da informação (Weissberg). Tal relação lugar/internet/informação gera, segundo Weissberg, um híbrido território/rede comunicacional. Seria o que André Lemos chama de "território informacional" ("Áreas de controle do fluxo informacional digital em uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaço urbano". Então não há, de forma alguma, uma perda da noção do local. Na verdade, ele é ainda mais valorizado - entendendo o conceito de local como "uma forma social que constitui um nível de integração das ações e dos atores, dos grupos e das trocas" (Alain Bourdin); ou seja, o local como importância nas relações sociais.

Entendendo as tecnologias móveis, associadas a conexões em rede, como instrumentos de valorização do local e da mobilidade, pode-se discutir como elas permitem funcionar de forma a cooperar com uma vigilância distribuída. Assim, ao invés de entendermos a vigilância como algo que cerceia a liberdade e restringe o movimento do indivíduo, devemos perceber que a mobilidade física e informacional torna-se importante justamente para manter mecanismos de vigilância e controle. No Google Latitude e no Foursquare, por exemplo, a divulgação voluntária de dados de geolocalização são fundamentais para manter tais redes sociais em funcionamento.

O panóptico de Bentham, junto com o processo da sociedade disciplinar desenvolvido por Foucault, não funcionam para analisar formas vigilância geradas a partir da utilização das novas tecnologias. Por isso, partimos do princípio da vigilância distribuída, que permite livre circulação de pessoas e informações. Não significa, claro, que houve diminuição do controle e do monitoramento.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Gráfico Social": Podem estar de olho em você


Nos últimos meses tornaram recorrentes as confusões digitais causadas por denúncias de invasão de privacidade na internet. Google e Facebook que o digam. Esses não são novidades, bem como uma prática que é mais comum do que se imagina, o monitoramento de informações pessoais publicadas na grande rede; o que seria uma espécie de reputação online.

Muitos já têm apontado isso e, de fato, acontece. Atitudes como conseguir um emprego e/ou aprovar um financiamento podem ser fortemente influenciados pelas informações que você publica na internet. Existem empresas espalhadas pelo mundo com trabalho especializado em Monitoração de Mídia Social. O que elas fazem, por exemplo, é vasculhar a web para verificar status, tweets do Twitter, organizações online às quais se filiou, sites aos quais está ligado e os comentários que você publicou... Depois, compilam todas essas informações e convertem tudo isso em um perfil único. Aí está o seu Gráfico Social.

O que chama a atenção é que essas verdadeiras investigações não são mais tão superficiais. Digamos que você tenha feito uma proposta de cartão de crédito ao banco, certo? Então o Banco, antes de aprovar sua proposta, dá uma boa vasculhadas nas redes sociais que você faz uso, analisa as outras pessoas a quem você está conectado e que já são clientes daquele banco, estuda o histórico de pagamento e crédito destes seus amigos e... já foi: tira conclusões sobre você! Dá até pra criar novos ditados. “Me diga com quem anda tweetando e direi quem és”.

É claro que esses estudos por parte das organizações podem apresentar falhas, mas daí até você conseguir seu emprego ou seu cartão de crédito de volta...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Detectando rockstars nas câmeras de vigilância

Como já havíamos postado neste blog, existem sistemas de vigilância inteligente, que podem detectar de forma automática ações e pessoas suspeitas nas imagens. 

Partindo dessa ideia, mas subvertendo a lógica, um grupo de artistas criou um sistema chamado Sven: Surveillance Video Entertainment Network. O função, segundo os idealizadores, é detectar rockstars através de câmeras de vigilância. Ou, melhor: utilizar um sistema de vigilância para transformar a imagem de pessoas caminhando por algum ambiente, captadas por câmeras, em uma espécie de videoclipe. Assim, ao público é mostrado uma imagem normal de câmera de vigilância, que é transformada repentinamente em um vídeo musical.
SVEN (Surveillance Video Entertainment Network) is a system comprised of a camera, monitor, and two computers that can be set up in public places - especially in situations where a CCTV monitor might be expected. The software consists of a custom computer vision application that tracks pedestrians and detects their characteristics, and a real-time video processing application that receives this information and uses it to generate music-video like visuals from the live camera feed. The resulting video and audio are displayed on a monitor in the public space, interrupting the standard security camera type display each time a potential rock star is detected.

Esse tipo de projeto reflete uma ideia de sousveillance. Trata-se de uma vigilância invertida, contrapondo o conceito de surveillance. Ou seja, a vigilância feita de baixo pra cima, expondo questões de privacidade e do necessidade de constante monitoramento. No caso do projeto Sven, há ainda uma certa ironia, transformando um sistema feito para vigiar em um entretenimento criado de forma artística e musical.







Veja mais informações sobre o projeto Sven